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11 de fevereiro de 2010

A do lixo

Hoje peguei um cara jogando o papel de sua coxinha na calçada da Faria Lima. Por sorte, tinha um gari varrendo aquela mesma calçada, com a pá cheeeia de papéis nojentos como o da coxinha, bitucas de cigarro, caixinhas de suco (!!!) e por aí vai.

Mas, pera aí, porque o gari é obrigado a varrer tanta coisa assim? Com certeza não é porque ele pertence ao grau mais baixo da escala social. O normal seria ele ter apenas folhas na pá. Folhas das árvores de São Paulo...


...uhum.

O que acontece é que as pessoas adooooram falar mal do Kassab ou de quem for o prefeito (menos da Marta, “porque ela fez o corredor e o bilhete único”) e culpá-lo pelas enchentes dos últimos 918767689076 dias, mas se esquecem de todas as porcarias que jogam por aí. Já vi gente espremendo meio mundo dentro do ônibus só pra alcançar uma janela e jogar o papel de bala pra fora. Cadê os bolsos dessa pessoa? Não era mais fácil se espremer pra alcançar o lixo do ônibus?

Não que o lixo seja a única causa das enchentes. São Paulo é totalmente despreparada para tanta água em tanto asfalto, estamos cansados de saber. Mas dá uma olhada nas margens do Tietê ou do Pinheiros depois de um dia de chuva pra você ver se o lixo não ajuda.

Proponho uma união dos que, como eu, estão inconformados com a sujeira da cidade. Nossa abordagem precisa ser unificada, porém segmentada por público-alvo. Sempre que um porcalhão jogar sua sujeira, faremos uma rápida análise de seu perfil e agiremos da seguinte forma:

Abordagem revolucionária, para os teimosinhos

Parte 1


- Com licença, moço. Acho que você deixou cair esse papel de coxinha.
- Sim, joguei fora. Essa cidade já tá uma merda mesmo!

Parte 2

[Pega o papel e coloca dentro da camisa dele]
- O que você tá fazendo?
- Jogando lixo no lugar certo: lixo. Vê se para de ser porco pra depois não reclamar que perdeu tudo na enchente e culpar o governo pela sua falta de consciência. Porco nojento!

Abordagem pacífica, para os idosos

- Oi, senhora, tudo bem? Vi que você jogou esse papel no chão... que tal jogar naquela lixeira ali?
- Ah, minha filha, mas tá muito longe...
- Tá vendo aquela nuvem ali?
- Sim, o que tem, minha filha?
- Também está longe. Mas assim que ela começar a jorrar água, vai levar esse seu papelzinho pro Rio Pinheiros, aqui perto. Junto com todo o resto do lixo que as pessoas jogam todos os dias por aí, vai causar um lamaçal imenso nas casas das pessoas, transmitir doenças, causar trânsito, enfim, caos. Não é melhor ir até a lixeira?

Se a resposta for:
- É, você tem razão, minha filha.
[levanta e sai]

Mas, se a resposta for:
- Mas eu sou velha....
[Inicia a 2ª parte da abordagem revolucionária]

Abordagem rápida, para os apressadinhos

[Pega o papel jogado no chão]
- Oi, você deixou cair isso aqui!
[Joga o papel na bolsa/pasta do sujeito sem ele perceber o que é.]

Abordagem descolada, para os “manos”

- E aí, beleza?
- Qualé?
- Tá ligado aquele papelzinho ali? Vi que você jogou agora. Pô, cara, maneira na sujeira aí... a galera ta perdendo tudo nas enchentes, mais lixo só vai piorar a situação...

Se a resposta for:
- Tem razão, mano. Você é truta, vou jogar o papel no lugar certo.
[Levanta e sai]

Mas, se a resposta for:
- Aí, você não é minha mãe pra mandar em mim não, falou?
[Inicia a 2ª parte da abordagem revolucionária – e corre.]

Abordagem Rider, para as crianças

- Ei, menina, sua mãe não te deu educação não? Não pode jogar lixo na rua!
- ...
- Pode pegar o papel e guardar na sua mochila. Quando você vir uma lixeira ou quando chegar em casa é só jogar lá. Dentro do lixo, hein!

Se a resposta for:
- Tá bom, moça.
[Levanta e sai.]

Se a resposta for:
- Vai tomar no c*!

[Taca o Rider na bunda do mal criado. Se a mãe não tacou antes, você estará fazendo um favor pra educação desse mal criado.]

E se você não for bem-sucedido em suas abordagens, segmente mais os perfis, crie novas estratégias. O que vale é acabar com essa palhaçada.

Junte-se a esse movimento hoje mesmo! Por uma São Paulo sem papéis de coxinha.

21 de setembro de 2009

A do fantástico mundo das redes sociais

Você já viu alguém pessoalmente que parecia bem mais bonito ou bonita no Orkut? Isso parece ser uma situação muito mais frequente do que se imagina. O que acontece é que, tornando-se útil - e, por assim dizer, democrática -, a popularização da internet fez com que as pessoas criassem uma nova forma de máscara: a das redes sociais.

Uso o exemplo da aparência apenas para entrar em questões um pouco mais profundas. Não digo aqui que redes sociais não sejam úteis. É muito legal encontrar no Orkut, Facebook e companhia uma pessoa que você já não vê faz tempo. Mas o que acontece normalmente é a clássica troca de recados:

- Nossa, Fulano, quanto tempo!! E aí, tá fazendo o q?
- Verdade, muito tempo mesmo! Tô trabalhando, estudando... Vamos marcar alguma coisa, hein!

E fim. Provavelmente isso se repetirá no dia do aniversário de um dos dois ad infinitum, ou até que um deles se toque de que esse chove no molhado não levará a nenhum resgate de amizade. Há exceções, é verdade. E apenas nesses casos é que se encaixa a utilidade das redes sociais.

De resto, o que existe é o exibicionismo das fotos, as brigas entre namorados (um termina com o outro e 10 minutos depois somem todas as fotos do casal, o status muda milagrosamente para "single" e um daqueles textos-padrão "Carpe diem" é colocado no perfil), os xavecos frustrados de quem acredita piamente que seja possível começar um relacionamento pela Web - ou de quem está usando isso tudo como última esperança.

No caso do Orkut, salvam-se poucas comunidades onde alguém tenta, em vão, discutir alguma coisa com seriedade. Mas a maioria delas virou, também, um exibicionismo de seus gostos e vontades e um depósito interminável de spam. E no caso do Facebook, só para citar mais um exemplo, não há muita coisa a mais do que fotos, testes e alguns recados. Até porque a proposta não é ir muito além disso mesmo.

O grande problema das redes sociais é quando elas se tornam, como citei no início, a máscara. Sua identidade, sua expressão, suas vontades estão lá. Você, offline, é totalmente diferente. Vira um zumbizinho sem graça que não consegue fazer nada sem antes consultar os seguidores do Twitter. Que prefere falar tudo virtualmente a falar em pessoa, porque a voz democrática da internet é muito mais alta do que a sua voz verdadeira. Alguém que tira uma foto e já está colocando no Orkut; que persegue fielmente a lista de sugestões de amigos do Facebook. E que corta o cabelo e trata logo de atualizar o perfil de todas as redes sociais para mostrar o novo look pra todo mundo. Você fica, enfim, submerso nessa massa amorfa e vazia, e se torna mesmo muito mais interessante quando está online.

É claro que não cabe aqui julgar as aparências - essa primeira impressão apenas se revela curiosa. O conteúdo é que é a questão. Não há nada demais em manter perfis em redes sociais - quem não mantém? O problema, como tudo nessa vida, é o fanatismo. É não ter um centavo no bolso mas economizar pra gastar na lan house, antes que a crise de abstinência tome conta do pobre ser. É não ler um livro sequer, mas ler todos os recados, perfis, álbuns, testes, twitts...

O problema é quando o supérfluo se torna essencial e o essencial se torna supérfluo. O problema é, enfim, quando a rotina milagrosa de sua existência se resume a um frenesi atômico de futilidades. Essa, meu amigo, é a hora exata de desconectar.

18 de agosto de 2009

A da Vida de Merda - parte 1

Conhece aquele site, o Vida de Merda? Eu passo horas lendo e dando risada, todos os dias, do povo coitado que coloca suas histórias lá. Mas parece que Deus me castigou e transformou a minha vida em uma merda.

Tudo começou com a volta às aulas. Enfiei todo o material necessário em minha bolsa gigante (caderno, estojo, netbook pra fazer hora na biblioteca da FFLCH e o resto das coisas de sempre – marmitão, nécessaires, carteira, escova de cabelo, óculos escuros, etc, etc...). Ou seja: a pobre bolsa ficou gordona e a pobre de mim ficou com as costas doendo porque pegou dois [micro]ônibus lotados sem nenhuma alma abençoada pra segurar a bolsa, só porque o tamanho dela era assustador.

Tive um dia normal no trabalho, saindo às 17h em ponto porque não sabia exatamente onde pegar o ônibus pra ir até a USP. Acabei pegando sem grandes dificuldades, porque ele sai exatamente do terminal da Lapa. Fui sentada, mas passando mal por causa do calor e das poucas horas de sono na noite anterior (minha pressão devia estar baixa e eu estava com dor de cabeça. Mas não, não era gripe suína, pode continuar lendo o texto sem risco de contaminação). O trânsito estava ruim nas imediações da Marginal Pinheiros e Rua Alvarenga mas, vá lá, eu prometi ser boa aluna esse semestre, resisti à tentação de descer e pegar outro ônibus pra casa.

Cheguei na FFLCH às 18h e, pasmem, já tinha muita gente por lá. Fui até a lanchonete, comprei uns trequinhos, os engoli e fui pra biblioteca gastar o que o ICMS de vocês pagou em forma de banda larga. Fiquei lá à toa até as 19h15, porque a aula começava às 19h30. Fui até a sala marcada calmamente e avistei de longe um papel grudado na porta. Mas sou meio cega, tive que chegar mais perto pra conseguir ler:

“A professora Maria Clara Paixão não dará aula hoje, 17/08, por motivo de doença. Favor pegar o programa na secretaria do DLCV e fazer sua inscrição no Moodle.”

“Qual é mesmo o nome da minha professora de Filologia? Maria Clara? Gente, é Maria Clara!!”


Pra resumir a tragédia:
• Eu tinha feito todo o sacrifício do mundo, carregado praticamente o mundo nas costas o dia inteiro;
• Passado mal dentro de um ônibus baforento;
• Pegado trânsito;
• Atravessado toda a porcaria do gramado “marijuanento” da FFLCH;
• Comido aquele salgado sem sal na lanchonete...

...pra absolutamente nada.

Que a professora estava doente pra mim estava claro. Eu só não entendi como alguém que conhece o Moodle não conhece E-MAIL! Eu ainda tinha fé que o tal e-mail acadêmico serviria pra alguma coisa algum dia.

Meio desolada, fui até a secretaria do DLCV pegar o programa, enquanto decidia se ficava ou não até as 21h para ter minha segunda aula. “Ah, the hell com a segunda aula, vou pra casa mesmo.” Chegando na secretaria, falei com a... secretária?

- Oi, o programa da Maria Clara...
[Ainda tava tentando me acostumar com aquele nome, me matriculei com ela há um século, quando ainda havia greve e a gripe suína era meramente estrangeira.]

- Ah sim, tá aqui. Não se esquece de matricular no tal do Moo... Moodle.
[Ironia do destino: viro designer instrucional e perco uma aula pelo Moodle.]
- Tá bom. Ela vai ficar sem dar aula um tempo?
[Já tava cogitando a possibilidade de ficar sem ir pra USP nas outras segundas-feiras. Vai que ela tinha pego a gripe...]
- Não, segunda que vem ela já está aqui!
- Ah.
[Cara de decepção]

Resolvi ligar pra casa e ver se alguma alma familiar caridosa podia ir me buscar. Eu moro perto da USP, mas aquilo lá é um buraco. Preciso pegar dois ônibus pra chegar em casa e o segundo é o inferno com 4 rodas. Só consegui falar com o meu pai:

- Ah, eu tô aqui esperando sua mãe, ela está em reunião, não sei que horas vai sair.
- Oba! Vou pra casa de ônibus!
- Me liga quando estiver chegando, a gente pega você no caminho.
- Tá.

Sorte que os ônibus da USP, naquele horário, não são tão cheios, e que o primeiro passou rápido. Sorte também que eu consegui, inexplicavelmente, por causa de um buraco de minhoca, talvez, pegar o segundo ônibus menos cheio. Mesmo assim, demorei meia hora pra percorrer uns 6km. É o milagre do transporte público de São Paulo.

Pra resumir a tragédia II:
• Cheguei em casa às 20h, quando poderia ter chegado às 18h se não tivesse ido completamente à toa pra FFhellCH;
• Comi porcaria quando poderia ter comido comidinha caseira vegetariana;
• Estava com a cabeça estourando e ainda tinha um sapato pra trocar no shopping e um presente de no máximo 100 reais pra comprar mim mesma (acreditem, isso não é tarefa fácil).

Fui cumprir essas duas tarefas certa de que nada mais podia dar errado. E não deu mesmo, encontrei um sapato igual com meu número e uma mochila boazinha pra substituir a bolsa gorda. Era mais cara, mas a essa altura eu gastaria meu salário inteiro pra resolver isso.

Enfim, cheguei em casa feliz por pelo menos uma coisa não ter afundado naquele dia de trevas. Mal sabia o que me aguardava no dia seguinte...

27 de julho de 2009

A da feiura

Conheço um escritório aí em que existe a maior população de homens feios do estado de São Paulo. Juro por Joey Ramone. É tudo nerd caspento, catarrento e, ainda por cima, chato. Do jeito que esse blog vai, eu já espero os comentários arremessando as pedras, mas tenho que dizer: ô gentarada feia.

Agora, para deixar bem claro que eu não vivo só de aparência, posso dizer que tentei conversar com as peças, até mais de uma vez. Mas essa população nerd é tão carente, tão carente, que queria conversar até quando eu nem estava falando diretamente com ela. Resumindo: queriam se meter na conversa, achando que eu era boazinha e não ia ligar. E, além de se meterem com um ou outro comentário, queriam contar história, pedir opinião. Ah, não. Cortei relações.

Mas o que mais me intriga é que esse pessoal consegue casar. Se eu fosse solteira, com certeza estaria em depressão profunda. Porque se um caspento namora e um catarrento casa, se reproduz e constitui família, eu, que sou limpinha e assôo o nariz direitinho, teria motivo pra Prozac na certa.

Talvez seja porque a mulherada tá muito em desespero. Só pode ser. Tem muita mulher nesse país, muito homem pobre, a área de TI dá uma graninha razoável... é, deve ser. Mas gente, pensem nos filhos de vocês! Mesmo que você seja a Scarlet Johanson, as chances de nascer um tiozinho do outdoor da revista Trip são gigantescas - e por essas vocês podem ter uma ideia do tipo de feiura que estou falando.

Agora, falando sério: não tenho nada contra a classe desfavorecida de beleza. Sei que faço parte dela também. Só que usar um Clear, ir ao dermatologista, dentista etc. não faz mal a ninguém. Ah, e desodorante, né gente? Perfume, se possível. Mas desodorante é o mínimo. Cecê, já basta o que eu sinto no busão.