26 de agosto de 2009

A do Dia Internacional da Igualdade Feminina


Vi agora há pouco um comercial do O Boticário bem interessante. Não encontrei no YouTube, mas é mais ou menos assim:

Mulheres em passeata com placas do símbolo feminista
"Na década de 70, as mulheres lutaram por igualdade de direitos."
Mulher executiva andando no meio da multidão na rua, olhando para o relógio.
"Conseguiram. Só que agora perderam algo muito precioso: tempo."

E segue falando que, com apenas 2 minutinhos por dia, você pode cuidar da sua pele.

Pois bem. Hoje é Dia Internacional da Igualdade Feminina. Supreso? Eu também. Não só porque desconhecia a existência dessa data, mas também porque essa igualdade não existe. Mulheres ainda ganham menos que os homens, ocupam menos cargos de chefia, têm que lidar com a dupla jornada de trabalho e volta e meia aturam propaganda ridícula de creminho pra lá e pra cá. Então pra quê um dia desse?

Busquei a origem da data, mas tudo o que consegui encontrar foram artigos em sites políticos ou textos sobre a origem do Dia Internacional da Mulher. E como política não é bem o viés desse blog, acho melhor deixarmos a questão da origem um pouco de lado.

A grande questão é: essa história de que "muito já foi conquistado" é pura balela. O direito ao voto aqui no Brasil foi conquistado pelas mulheres na década de 30. Já se foram mais de 70 anos e nunca tivemos uma presidente mulher, ao contrário de nossos companheiros latinos do Chile. É claro que se uma Marina da Silva da silva fosse eleita não ia dar boa coisa e ela acabaria rechassada pelos patriarcalistas de plantão, aguentando críticas muito mais duras por ser mulher e negra. Mas isso também não vem ao caso. O fato é que continuamos nesse conformismo de "já conquistamos tantas coisas" como se a situação fosse confortável. Eu quero ter um cargo de liderança. E quero ganhar o mesmo que um homem por isso! Eu não quero ser obrigada a trabalhar, cuidar de casa, do marido e dos filhos. Quero dividir.

Acho que um dos maiores enganos do feminismo foi não ter divulgado que a igualdade feminina não era apenas em favor de benefícios, mas de deveres também. Porque vira e mexe aparece algum engraçadinho dizendo que sua namorada se diz feminista, mas não quer pagar a conta do jantar. Nesses casos, a ignorância maior é da mulher que quer tirar proveito de uma ideologia que demorou anos para ter algum impacto na sociedade. E ela simplesmente joga fora quando pensa que o homem tem mesmo que pagar a conta e abrir a porta do carro.

E de vez em quando alguém chega e pergunta: "Então por que você não se alista no exército?" Eu digo: "Porque alistamento obrigatório é ridículo e não deveria existir nem pra homem, nem pra mulher". E o sujeito faz cara de bunda.

Uma coisa é certa: não dá mais para pensar que feminismo é sinônimo de produção independente, lesbianismo ou o raio que o parta. Já era, já foi. Isso foi argumento que as famílias conservadoras da década de 70 usavam para manter as filhas longe do movimento. Feminismo é para todas e todos. Não é uma forma de machismo ao contrário, é simplesmente uma forma de colocar tudo no lugar certo e fazer as coisas serem mais justas. O que é ruim para um, é ruim para uma. O que é bom para um, é bom para uma também. Simples assim.

Agora, voltando à propaganda: já escutei e li muito por aí que o feminismo não deu certo porque fez com que a mulher trabalhasse ainda mais, e que era melhor se tivéssemos ficado só em casa cuidando do marido. O mais triste é que quem escreveu isso era uma jornalista, que não teria seu espaço se a realidade fosse essa que ela estava sonhando.

Essa inversão de valores é muito perigosa, porque coloca em xeque toda a nossa condição, como se tivéssemos culpa dela, como se tivéssemos a procurado. O feminismo não produziu a dupla jornada, a sociedade produziu. Simplesmente porque a igualdade não é plena. Porque homens ainda têm menos obrigações. E porque as mulheres, de modo geral, ainda são criadas de modo que a vaidade se torna uma rotina que deve ser cumprida religiosamente, pois do contrário não há aceitação por parte dessa mesma sociedade.

Mas ninguém é obrigada a aceitar isso. Comece aí na sua casa a fazer os homens ajudarem um pouquinho que seja, uma louça, uma cama para arrumar, um jantar para fazer de vez em quando. E se você não quiser pensar nisso, não se preocupe: o creminho de 2 minutos está aí para resolver seu problema de tempo.

20 de agosto de 2009

A do show do Chuck Berry

Atrás dos vendedores ambulantes de camisetas (e também de alguns cambistas) se escondia uma multidão de pessoas de todas as idades com o mesmo propósito: ver Chuck Berry, nada menos que aquele que criou o rock'n'roll.

Cheguei pouco antes das 21h30, horário marcado para o início do show, e sentei-me à mesa marcada. Sim, mesas, porque Chuck não tem mais 30, mas 82 anos, e seu show não poderia ter a mesma vibração da época em que lançou Roll Over Beethoven – que, aliás, foi a música que abriu o show.

Confesso que quase me arrependi de ter gastado R$ 125,00 (meia-entrada na platéia 1 do Via Funchal) quando ele começou a tocar essa música muito mais lentamente do que aquela Roll Over Beethoven que escuto quase todos os dias vindo para o trabalho. Mas sem nem chegar, o arrependimento foi embora no resto do show. Eu percebi que não estava ali pelas músicas. Eu tinha ido ver uma das poucas lendas da música que ainda estão vivas, e se ele subisse no palco, tocasse o solo da Johnny B. Goode e fosse embora, o show já estaria pago.

A set list foi curta, mas incluiu os melhores clássicos do velhinho: Sweet Little Sixteen, Maybelline (tocada depois que alguém a gritou da platéia), School Day, Carol, My Ding a Ling (com um vocal cheio de graça e risada por parte de Chuck e também da platéia) e, por último, Reelin' and Rockin', quando ele chamou 12 meninas e 2 caras histéricos para dançar ao estilo rockabilly um tanto quanto improvisado ao lado dele.

É claro que não faltaram pedidos de músicas. Um cara atrás de mim gritou "C'est La Vie!!", mas o nome da música é You Never Can Tell – muito boa, por sinal. Uma pena o Chuck não ter entendido.

No final do show a platéia estava sedenta por Johnny B. Goode:

- Do you want to hear Johnny B. Goode? You'll hear Johnny B. Goode - anunciou ele.

E logo no primeiro solo ele percebeu que sua guitarra semiacústica estava desafinada. Começou a afiná-la de ouvido (óbvio), mas os roadies já começaram a correr lá atrás e entregaram a ele uma Fender Stratocaster verdona, linda, que deixou a galera ainda mais agitada.

E então ele tocou tudo aquilo que todos nós já ouvimos tantas vezes, inclusive no filme Back to The Future, com Calvin Klein (ou Marty McFly, interpretado por Michael J. Fox) fazendo a Duck Dance em uma piada sobre Chuck Berry ter feito a música depois que seu primo Marvin o fez ouvir o que estavam tocando no baile Enchantment Under The Sea.

Mas vê-lo pessoalmente, tão perto, fazendo aqueles passinhos agora um pouco mais lentos e tocando o solo mais famoso do rock'n'roll foi indescritível. Uma emoção que só quem pega em uma guitarra ou em algum outro instrumento e tenta tocar um rock'n'roll sabe como é. O cara realmente é aquilo tudo. Uma lenda que nos faz ver nitidamente que, enquanto houver gente se empolgando com o bom e velho verso "But he could play a guitar just like ringing a bell", a boa música não morrerá.

Foto: Terra/Stephan Solon/Via Funchal/Divulgação

18 de agosto de 2009

A da Vida de Merda - parte 1

Conhece aquele site, o Vida de Merda? Eu passo horas lendo e dando risada, todos os dias, do povo coitado que coloca suas histórias lá. Mas parece que Deus me castigou e transformou a minha vida em uma merda.

Tudo começou com a volta às aulas. Enfiei todo o material necessário em minha bolsa gigante (caderno, estojo, netbook pra fazer hora na biblioteca da FFLCH e o resto das coisas de sempre – marmitão, nécessaires, carteira, escova de cabelo, óculos escuros, etc, etc...). Ou seja: a pobre bolsa ficou gordona e a pobre de mim ficou com as costas doendo porque pegou dois [micro]ônibus lotados sem nenhuma alma abençoada pra segurar a bolsa, só porque o tamanho dela era assustador.

Tive um dia normal no trabalho, saindo às 17h em ponto porque não sabia exatamente onde pegar o ônibus pra ir até a USP. Acabei pegando sem grandes dificuldades, porque ele sai exatamente do terminal da Lapa. Fui sentada, mas passando mal por causa do calor e das poucas horas de sono na noite anterior (minha pressão devia estar baixa e eu estava com dor de cabeça. Mas não, não era gripe suína, pode continuar lendo o texto sem risco de contaminação). O trânsito estava ruim nas imediações da Marginal Pinheiros e Rua Alvarenga mas, vá lá, eu prometi ser boa aluna esse semestre, resisti à tentação de descer e pegar outro ônibus pra casa.

Cheguei na FFLCH às 18h e, pasmem, já tinha muita gente por lá. Fui até a lanchonete, comprei uns trequinhos, os engoli e fui pra biblioteca gastar o que o ICMS de vocês pagou em forma de banda larga. Fiquei lá à toa até as 19h15, porque a aula começava às 19h30. Fui até a sala marcada calmamente e avistei de longe um papel grudado na porta. Mas sou meio cega, tive que chegar mais perto pra conseguir ler:

“A professora Maria Clara Paixão não dará aula hoje, 17/08, por motivo de doença. Favor pegar o programa na secretaria do DLCV e fazer sua inscrição no Moodle.”

“Qual é mesmo o nome da minha professora de Filologia? Maria Clara? Gente, é Maria Clara!!”


Pra resumir a tragédia:
• Eu tinha feito todo o sacrifício do mundo, carregado praticamente o mundo nas costas o dia inteiro;
• Passado mal dentro de um ônibus baforento;
• Pegado trânsito;
• Atravessado toda a porcaria do gramado “marijuanento” da FFLCH;
• Comido aquele salgado sem sal na lanchonete...

...pra absolutamente nada.

Que a professora estava doente pra mim estava claro. Eu só não entendi como alguém que conhece o Moodle não conhece E-MAIL! Eu ainda tinha fé que o tal e-mail acadêmico serviria pra alguma coisa algum dia.

Meio desolada, fui até a secretaria do DLCV pegar o programa, enquanto decidia se ficava ou não até as 21h para ter minha segunda aula. “Ah, the hell com a segunda aula, vou pra casa mesmo.” Chegando na secretaria, falei com a... secretária?

- Oi, o programa da Maria Clara...
[Ainda tava tentando me acostumar com aquele nome, me matriculei com ela há um século, quando ainda havia greve e a gripe suína era meramente estrangeira.]

- Ah sim, tá aqui. Não se esquece de matricular no tal do Moo... Moodle.
[Ironia do destino: viro designer instrucional e perco uma aula pelo Moodle.]
- Tá bom. Ela vai ficar sem dar aula um tempo?
[Já tava cogitando a possibilidade de ficar sem ir pra USP nas outras segundas-feiras. Vai que ela tinha pego a gripe...]
- Não, segunda que vem ela já está aqui!
- Ah.
[Cara de decepção]

Resolvi ligar pra casa e ver se alguma alma familiar caridosa podia ir me buscar. Eu moro perto da USP, mas aquilo lá é um buraco. Preciso pegar dois ônibus pra chegar em casa e o segundo é o inferno com 4 rodas. Só consegui falar com o meu pai:

- Ah, eu tô aqui esperando sua mãe, ela está em reunião, não sei que horas vai sair.
- Oba! Vou pra casa de ônibus!
- Me liga quando estiver chegando, a gente pega você no caminho.
- Tá.

Sorte que os ônibus da USP, naquele horário, não são tão cheios, e que o primeiro passou rápido. Sorte também que eu consegui, inexplicavelmente, por causa de um buraco de minhoca, talvez, pegar o segundo ônibus menos cheio. Mesmo assim, demorei meia hora pra percorrer uns 6km. É o milagre do transporte público de São Paulo.

Pra resumir a tragédia II:
• Cheguei em casa às 20h, quando poderia ter chegado às 18h se não tivesse ido completamente à toa pra FFhellCH;
• Comi porcaria quando poderia ter comido comidinha caseira vegetariana;
• Estava com a cabeça estourando e ainda tinha um sapato pra trocar no shopping e um presente de no máximo 100 reais pra comprar mim mesma (acreditem, isso não é tarefa fácil).

Fui cumprir essas duas tarefas certa de que nada mais podia dar errado. E não deu mesmo, encontrei um sapato igual com meu número e uma mochila boazinha pra substituir a bolsa gorda. Era mais cara, mas a essa altura eu gastaria meu salário inteiro pra resolver isso.

Enfim, cheguei em casa feliz por pelo menos uma coisa não ter afundado naquele dia de trevas. Mal sabia o que me aguardava no dia seguinte...

11 de agosto de 2009

A do aniversário

Existem pelo menos quatro fases da vida que marcam as diferentes reações das pessoas quando completam mais um ano de vida. A idade e duração das fases varia de pessoa para pessoa, mas podemos delimitá-las mais ou menos assim:

Fase 1: Empolgação - dos 2 aos 19 anos
Seja pelos presentes, seja por ganhar maturidade ou maioridade, a primeira fase é de frenesi completo em torno do dia do aniversário. A fase inclui contagem regressiva, lembrança constante aos familiares e amigos sobre a data e organização de comemorações com, pelo menos, 1 mês de antecedência. Quando a data chega, quem está na fase 1 acorda feliz da vida esperando os comprimentos, presentes e comemorações.

Fase 2: Aceitação - dos 20 aos 29 anos
Depois que os presentes se tornam mais raros, que as comemorações são iguais todo ano e que a maioridade se revela causa de mais responsabilidade, menos diversão e mais contas, o aniversário é aceito como uma data normal. A pessoa na fase 2 chama os amigos mais próximos para uma "comemoraçãozinha, só para não deixar passar em branco", mas no fundo nem tem vontade de comemorar nada. Sabe que o dia será como outro qualquer e que mais um ano de vida não mudará nada.

Fase 3: Negação - dos 30 aos 79 anos
Chegam as rugas, as preocupações aumentam ainda mais, boas noites de sono são escassas, então quem é que quer fazer aniversário a partir dos 30? Por esses e muitos outros motivos a fase 3 é aquela em que é melhor esquecer o dia do próprio aniversário, dizer a quem perguntar que ele já passou e, aos que decoraram a data, que estará viajando a trabalho e não poderá comemorar nada. No dia de seu aniversário, a pessoa que está na fase 3 chega do trabalho e se tranca em casa para assistir novela, futebol ou um filme qualquer como se nada estivesse acontecendo. Comemoração mesmo só por insistência forte da família ou festinha surpresa.

Fase 4: Redenção - a partir dos 80 anos
Sorte ou resultado de dedicação com a saúde, fazer 80 anos é, para o aniversariante da fase 4, uma baita vitória. E como já não há muito poder de escolha e decisão, os preparativos e a comemoração ficam por conta da família. Mas o aniversariante não se importa muito, pelo contrário, o que vier, a partir daí, é lucro.

As descrições não são 100% precisas, mas posso garantir que na fase 2 os sintomas estão fielmente retratados.

3 de agosto de 2009

A do exame médico

Já que mudei de emprego novamente, tive que me submeter de novo àquela burrocracia chata de sempre: cópias de mil documentos, resgate de fotos 3x4 que normalmente tiro, separo as que preciso e distribuo à família e ao namorado e, a parte mais chata: exame médico admissional.

Nunca entendi a utilidade desses exames. Você chega lá, entrega seu RG, assina a guia, espera te chamarem, entra no consultório, responde algumas perguntas, o cara de avental mede sua pressão, ouve seus batimentos, assina o papel, carimba e te entrega desejando boa sorte, coisa e tal. Qualé, pra quê toda a perda de tempo? Eu tenho medidor de pressão em casa. Se é pelo estetoscópio, tenho certeza de que poderia arranjar um e assinar meu próprio "laudo médico" - leia-se assinalar "apto(a)" com um x.

Porém, como ainda não tenho estetoscópio nem CRM, fui até a Xavier de Toledo fazer meu exame admissional. Era um prédio arrumadinho no meio daquela rua horrososa, bem do lado do metrô Anhangabaú. Fiz o procedimento de sempre: falei ao porteiro que iria até a clínica, entreguei minha CNH e dei um sorrisinho pra webcam na minha frente. Subi e fui até a sala 101, onde ficava a tal clínica.

O chão era branco brilhante, com um cheiro absurdo de Pinho Sol. Na frente da porta, o "guiche 07"(sic), ao qual me dirigi.

- Oi. Vim fazer exame pela Pearson.
- Tem algum papel aí?
- Eles disseram que enviaram por fax.
- Me empresta seu RG?
- Aqui.
- Só aguardar.

Sentei num lugar perto do tal "guiche". Coloquei o fone de volta na orelha e fiquei observando as pessoas entrarem. Eram umas 13h30, parece que os médicos estavam almoçando, porque ninguém era chamado. E a mulher do "guiche 07" ainda tinha que me chamar para assinar a guia, que depois de 20 minutos de espera eu estava torcendo ferozmente para que ela tivesse achado.

Quando ela finalmente me chamou, ainda tive que dizer qual era meu estado civil, onde nasci e qual seria meu cargo. Falei pausadamente:

- Designer ins-tru-ci-o-nal júnior.
- Assine aqui e aqui, por favor.

Conferi e ela tinha escrito o cargo corretamente. Ainda bem, só faltava ter que esperar mais 20 minutos para ela fazer uma nova guia. Assinei, peguei a senha (oh, Jesus, ainda tinha senha!) e voltei ao meu lugar. Não deu 3 minutos um cara gordinho de bigode e avental amarelado estava me chamando.

- Fernanda Rodrigues! Fernanda!

Fui andando rápido atrás dele e entrei no consultório.

- Pode se sentar. Então, você vai trabalhar na Pearson Education do Brasil. Pearson Education. Como designer... designer instru... what the hell is that?
- Designer instrucional.
- Ah, designer instrucional? Hum, designer instrucional. Pearson Education. Escola de inglês, né?
- Não, é uma editora.
- Ah sim, editora! É que tem uma outra que tem uns dicionários, uns livros de inglês, uns dicionários que você vai lá - ele falava e colocava o medidor de pressão no meu braço -, não lembro o nome dessa.
- Longman?
- Isso, Longman!
- É da Pearson também.
- Isso, Longman! E Penguin! Que tem uns livrinhos de inglês bem facinho... isso mesmo, Longman. Então, designer... você vai fazer as capas, colorir, fazer as capas dos livros, né?
- Não, não, vou projetar cursos online.
- Ah, cursos online! Que interessante! Sabe, tem um amigo meu que está aprendendo italiano. Ele está há meses, meses!, na primeira lição do livro. Há meses na primeira lição, veja só que coisa! E não adianta, ele passa um tempão fazendo e não aprende nada. Porque não adianta ter o melhor livro do mundo. Você dá um livro pra ele e pergunta: "gostou desse?", ele fala "não". E desse aqui? "não". Então não adianta, não importa o livro se a pessoa não interesse!
- Uhum. - Já estava ficando sem paciência com o velho.
- As meninas aqui estão fazendo inglês. Você fala inglês, né? - Ele ameaçava riscar a ficha e nunca riscava.
- Uhum.
- Então, elas querem falar também, estão fazendo aula e tudo mais. E outro dia eu perguntei: "estão estudando inglês?" e elas disseram: "não, estamos de férias." Mas imagina, estão de férias! Para aprender inglês você tem que praticar, não importa se está ou não de férias. Tem que ir lá no livro, ver o vocabulário, lembrar, voltar e ir revendo tudo.
- Uhum.
- Porque não adianta, Fernanda, se a pessoa não tiver interesse, não há design que chegue! Não há design que chegue!

O sorrisinho simpático que eu tinha no começo já tinha ido embora.

- Porque inglês engana a gente. Em português a gente tem 4 artigos. Em inglês tem só um! Aí o cara vai lá naquele Yahoo, Yahoo Answers... conhece esse?
- Uhum.
- Então o cara vai lá e fala que quer traduzir "carecão" para o inglês em uma palavra só. Não dá, não é igual português! Que nem, que nem "um amigo". Você não vai traduzir para "one friend", numeral. Tem que ser "a friend", mas o pessoal não entende. E se não tem interesse em aprender, não tem, não tem design que chegue!
- É. - Impaciente, já pegando a bolsa na outra cadeira.
- Então tá aqui, Fernanda, vou assinar aqui, porque o importante é você se sentir bem, né? O importante é se sentir bem e ir em frente. E você eu tenho certeza que está bem, né?
- Sim! Sim, claro!
- Então é isso aí. Esse papel vai para a Pearson e você pode entregar para eles e dizer que está tudo bem. Porque o importante é você se sentir bem, o resto é resto. Então boa sorte na Pearson!
- Obrigada, doutor. - Praticamente arranquei o papel da mão dele.

Nem acreditei! Um exame admissional com 20 minutos de duração! Sem perguntas sobre a última vez em que fiquei menstruada, meu peso e altura, nada disso. Nem sei se minha pressão estava normal, porque ele mediu enquanto falava e sequer parou um minuto. Incrível como médicos podem ficar realmente carentes.

Da próxima vez vou entrar com cara de bem (mais) mau-humorada e adiantar que estou com pressa e que parei o carro na contra-mão. Claro que ele iria fazer alguma piadinha sobre meu tamanho e o fato de já ter habilitação, mas seria melhor do que aguentar todo o papo sobre o cara que não consegue aprender italiano.

30 de julho de 2009

A da oportunidade


"A vida é feita de oportunidades". Atire a primeira pedra quem nunca se identificou com essa frase clichê, mas tão verdadeira. Oportunidade é o que move todos os dias de nossa vida.

Quer ver como é verdade? Você provavelmente começou a andar por causa de uma oportunidade - de alcançar a chupeta que caiu no chão, de chamar a atenção de seus pais ou mesmo de fazer alguma coisa diferente em seu dia-a-dia maçante. Andar foi a oportunidade que você encontrou para mudar alguma coisa.

Foi também em busca de uma oportunidade que você foi se sentar ao lado daquela pessoa, entrou naquele grupo de Feira de Ciências ou foi viajar para aquele lugar. E, por que não, foi para ter uma nova oportunidade que você saiu correndo do seu atual trabalho para fazer uma entrevista.

Da oportunidade nasceu a América - Canadá, Estados Unidos, Brasil e todo o resto. Foi também por causa dessa palavra maldita que Hitler matou milhares de judeus e que milhares de pessoas passam fome na África.

Há pessoas que arriscam a vida por uma oportunidade, atravessando fronteiras, viajando pra lugares isolados ou lançando-se em alguma favela do Rio de Janeiro. Com 18 anos, você gastou algo em torno de R$ 100,00 para pagar taxas e mais taxas de vestibular - e, nesse caso, o investimento pode ter sido bom ou ruim, mas isso é o que menos importa.

O fato é que eu não estaria aqui sem minha oportunidade em vista, nem você sem a sua. A primeira é a tentativa de escrever algo útil, a segunda a de ler algo que lhe agrade ou desagrade (para que você tenha o que comentar). E uma coisa é certa: nenhuma oportunidade é nula, sem resultado. Se for, não é oportunidade. É perda de tempo.

27 de julho de 2009

A da feiura

Conheço um escritório aí em que existe a maior população de homens feios do estado de São Paulo. Juro por Joey Ramone. É tudo nerd caspento, catarrento e, ainda por cima, chato. Do jeito que esse blog vai, eu já espero os comentários arremessando as pedras, mas tenho que dizer: ô gentarada feia.

Agora, para deixar bem claro que eu não vivo só de aparência, posso dizer que tentei conversar com as peças, até mais de uma vez. Mas essa população nerd é tão carente, tão carente, que queria conversar até quando eu nem estava falando diretamente com ela. Resumindo: queriam se meter na conversa, achando que eu era boazinha e não ia ligar. E, além de se meterem com um ou outro comentário, queriam contar história, pedir opinião. Ah, não. Cortei relações.

Mas o que mais me intriga é que esse pessoal consegue casar. Se eu fosse solteira, com certeza estaria em depressão profunda. Porque se um caspento namora e um catarrento casa, se reproduz e constitui família, eu, que sou limpinha e assôo o nariz direitinho, teria motivo pra Prozac na certa.

Talvez seja porque a mulherada tá muito em desespero. Só pode ser. Tem muita mulher nesse país, muito homem pobre, a área de TI dá uma graninha razoável... é, deve ser. Mas gente, pensem nos filhos de vocês! Mesmo que você seja a Scarlet Johanson, as chances de nascer um tiozinho do outdoor da revista Trip são gigantescas - e por essas vocês podem ter uma ideia do tipo de feiura que estou falando.

Agora, falando sério: não tenho nada contra a classe desfavorecida de beleza. Sei que faço parte dela também. Só que usar um Clear, ir ao dermatologista, dentista etc. não faz mal a ninguém. Ah, e desodorante, né gente? Perfume, se possível. Mas desodorante é o mínimo. Cecê, já basta o que eu sinto no busão.

20 de julho de 2009

A do Dia do Amigo, do homem na Lua e outras histórias

Depois do Dia do Homem (que me pegou completamente de surpresa e não me deu tempo para fazer um post especial), hoje é dia de comemorar o Dia do Amigo. Mesmo achando essas datas comemorativas um tanto quanto banalizadas, principalmente no âmbito comercial, fiz questão de mandar um Feliz Dia do Amigo para alguns dos meus e só depois fui ver que a data tinha sido adotada primeiro na Argentina, devido à chegada do homem na Lua. Sim, eu sei que não faz sentido, mas o país da gripe suína fez alguma coisa, enfim. As empresas de cerveja é que deviam agradecer aos argentinos.

Então hoje, 20 de julho de 2009, a chegada do homem à Lua completa 40 anos. E olha, amigo, acho que nenhuma outra história rendeu tanto quanto essa. Se você for lá na sua barrinha do Google e digitar homem lua, vai achar uma infinidade de sites com a maior variedade de informações sobre esse assunto. Um deles chama bastante a atenção (é o segundo da lista, ficando atrás apenas das notícias): www.afraudedoseculo.com.br

Trata-se do site de um brasileiro que tem um livro "em processo de desenvolvimento" chamado A Fraude do Século e nos dá uma "palhinha" sobre suas constatações. O currículo do autor:

"Formado em Processamento de Dados e Administração de Empresas.
Como consultor de informática, escreve matérias de informática para vários jornais do Estado de Minas Gerais, já tendo atuado também como colaborador e revisor de um dos livros do professor Pasquale Cipro Neto."

Portanto ele é um PD-ADM-revisor do Pasquale, mano! Acho melhor não comentar mais nada a respeito da formação do rapaz.

O texto publicado no site é bem grande, por isso não vou descrevê-lo aqui, mas você pode dar uma olhada e tirar suas próprias conclusões. De tudo o que ele descreve lá, a única coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha foi o sumiço da fita original da NASA. Eu, que tive a oportunidade de visitar a as instalações da NASA em Cabo Canaveral no início desse ano mesmo e vi com meus próprios olhos como as coisas por lá são neatly organizadas e seguras, confesso que achei essa história um pouco estranha também. O resto é coisa de soviético com dor de cotovelo.

Sobre o local onde teria ocorrido a farsa da chegada à Lua, o dono do site menciona:

"Agentes do governo dos Estados Unidos poderiam ter levado os astronautas e alguns auxiliares a um treinamento secreto no Deserto de Nevada, Estados Unidos, que, em vários locais, tem uma enorme similaridade com a aparência das fotos que teriam sido tiradas na Lua."

No mesmo mês em que fui à NASA, passei pelo tal Deserto de Nevada e posso assegurar que, fora a desolação completa, não tem nada a ver com a Lua. O solo não é arenoso como o da Lua parece ser. É duro e seco. É um catingão parecido com o que temos no Nordeste e em parte do Tocantins, com vegetação baixa e às vezes com cactos gigantescos, do tamanho de árvores. Veja mais ou menos como é

Para encerrar, deixo o meu conselho a esse rapaz do site e às outras pessoas que, em pelo século XXI, após inúmeras missões espaciais terem ocorrido com sucesso, ainda acreditam que a chegada à Lua é balela: saiam da Sibéria.

14 de julho de 2009

A do workshop

Sempre odiei autoajuda. Paulo Coelho, Quem Mexeu no Meu Queijo e derivados sempre me causaram aquela cara de limão irreparável. Por isso quando soube que ontem participaria de um workshop sobre inovação, já pensei num tiozinho gritando "Yes we can!" lá na frente, repeti a referida cara e, como não havia remédio, fui em direção ao evento, tentando ficar feliz por ter pelo menos um assunto pro blog.

Me surpreendi. O negócio foi bom! O professor era um cara da FIA, uma fundação da FEA-USP (o que contribuiu para que eu fizesse aquela cara), mas trouxe exemplos super interessantes de inovação. Claro que o cara não falou nada que já não soubéssemos. Mas, no fim, propôs uma atividade interessante chamada "brainwriting". Colocou uma questão sobre a nossa empresa, pediu 3 soluções e recolheu nossas folhas. Depois, embaralhou tudo e entregou novamente, para que completássemos ou escrevêssemos novas ideias baseadas nas ideias das outras pessoas. Repetiu isso uma vez e depois separou as pessoas em grupos, para que elegêssemos uma ideia e explicássemos porque ela era boa, porque nunca colocamos em prática antes, etc.

O resultado final foi muito bom, porque as pessoas não se sentiram intimidadas e falaram tudo o que pensam (alguns até demais), propondo soluções bastante inteligentes. E eu, que cheguei na empresa há pouco mais de um mês, já tive uma ideia durante o workshop e saí confiante de que posso trabalhá-la para que ela dê certo - leia-se: seja premiada.

Enfim, foi um ótimo exemplo de que vale a pena investir em coisas como essa numa empresa. Apesar do meu preconceito, tenho que admitir que se o negócio for bem conduzido pode dar bons resultados. Só não me venham com papinho de O Alquimista - persiga seus sonhos; a solução sempre está ao seu lado, basta ver; blablabla.

Depois eu fiquei pensando quanto o cara vai ganhar pelos 3 dias que ficará aqui dando esse workshop. 10 mil? 15 mil? Eu tenho que começar a investir nessas coisas, minha gente! Vou fazer um mestrado qualquer e depois dar workshops sobre redação empresarial, acordo ortográfico e cia. Que academia que nada, bom mesmo é o dinheiro no bolso.

[Ráááááá!]

13 de julho de 2009

A do nada

Fui procurar alguma coisa sobre a qual eu pudesse escrever aqui. Pensei nos lugares que fui no feriado e só lembrei do diálogo que presenciei no escuro do cinema:

- João, cadê você?
- Aqui!
- Aqui onde?
- Aquiiii!
- Mas cadê?
- Tô aquiiii!

Achei que faltava recheio - além de ser extremamente sem graça e pastelão - por isso logo abandonei a ideia.

Lembrei então do casal brigando na terça passada, no Outs:

Ele: - Vou no banheiro.
Ela: - Vai nada, vai ficar aqui. Vê se se comporta.
Ele: - Mas eu quero fazer xixi!
Ela: - Quer nada, você quer é arranjar confusão! Fica aqui. E nunca mais me traz em show de Ramones!!

Também cheguei à conclusão de que seria, mais uma vez, muito pouco para uma crônica. (Além de tocar em um acontecimento que já foi bem aclamado e enxovalhado aqui.)

É claro que assunto nunca falta. Michael Jackson, Sarney, morte da trava que o Ronaldo pegou, tudo está aí para ser abordado e detalhado das mais diversas maneiras. Mas eu não encontrei nada que pudesse realmente ser assunto de uma boa crônica, seja ela engraçada ou estilo "tapa na cara"- que toca e assusta.

Lembrei da palavra que abre o Grande Sertão: Veredas: "Nonada". De todo o livro, esse é o neologismo que mais gosto. Nonada. É mais que nada, muito menos que tudo. É vazio. É nonada. E eu estava totalmente nonada de ideias para um texto.

Comecei a pensar no nada. Nada é tão difícil de definir... É sem definição e ao mesmo tempo a negação de todas as definições do mundo. Como uma mãe explicaria a uma criança o que é nada? Acho que já nascemos sabendo o que é. Nonada a gente só aprende depois de ler Guimarães Rosa. Mas nada deve estar lá na nossa cabeça desde sempre.

Aliás, tanto está na nossa cabeça sempre que, vira e mexe, o nada volta a nos atormentar. Nessas horas parece que ele quer atenção, quer ser o assunto. E consegue, enfim.

Não reclamo. Ao contrário, agradeço ao nada por encher este blog do mais puro niilismo.

8 de julho de 2009

A do show do CJ Ramone

Ontem eu fui no Outs para ver um show do CJ Ramone (segundo baixista dos Ramones e pra mim o melhor). Já tinha muito tempo que queria ver um show dele. Ele veio outras vezes ao Brasil com suas outras bandas, mas eu não tinha idade e/ou dinheiro suficiente pra ir aos shows. Então ontem era um momento especial, porque quem tem de 18 a 25 anos e é fã louco de Ramones como eu não teve a oportunidade de ver a banda toda quando eles vieram ao Brasil pela última vez em 1996.

Como era de se esperar de um show de um Ramone, o local era pura euforia. Devia ter umas 1.000 pessoas numa casa que suporta umas 500, ou seja, cada pessoa tinha em média 70 cm² para ocupar - uma verdadeira falta de respeito tanto com o público como com o CJ. Pessoas pequenas como eu seriam certamente esmagadas no início do show se não fossem os namorados-guarda-costas. E, para ferrar de vez, o CJ abriu com Blizkrieg Bop, a única música que até quem nunca ouviu falar de Ramones conhece (chamada por esses de "Hey Ho Let's Go").

O empurra-empurra foi um terror. Sobrou cotovelada e pisão pra todo mundo que tava nas primeiras 10 fileiras. E, nessas horas super-propícias, sempre tem um garoto legal, um garoto bacana, que resolve puxar o V3 do bolso, ligar pro amigo tiozão que ficou em casa vendo Casseta e Planeta e falar: "Meu, você não sabe o eu to ouvindo agora, meu! O CJ Ramooone, meu!!", apontando o celular pro palco pro tiozão ouvir a música. Esse aí levou bem uns 10 socos nas costas.

Apesar disso, o show foi excelente. Um dos melhores que já vi, desconsiderando a hiperlotação do lugar. O CJ está super em forma, cantando e tocando bem como sempre. Daniel Rey mandou muito bem na guitarra. O ponto alto do show, pelo menos pra mim, foi a Poison Heart, uma das minhas músicas preferidas e que foi muito bem tocada pela banda. A galera cantou a música toda na maior empolgação e eu, que já tava anestesiada de tanta cotovelada que levei, deixei de ligar pro empurra-empurra.

Mais ao final, apareceu o Supla pra cantar Pet Sematery. O cara leva a música da Joan Jett bem a sério: não tá nem aí pra má-reputação. Chegou escoltado pelos seguranças pouco antes do show do CJ começar em meio a gritos de "Supla filho do putaaa!" (o que se encaixa sempre muito bem) e foi pro backstage com sua cabeleira loura a la Ana Maria Braga levou choque de 10.000 wats. Cantou mal e com um sotaque que dava vergonha:"Ai john uanth to livi mai laif agee-eein". Assim que acabou a música, o pessoal do fundo começou a agitar um "Ei, Supla, vai tomar no cu!" e o negócio pegou. Repetiram até o cara sair do palco e o CJ começar outra música, para o alívio de todos. Foi a parte mais divertida do show.

Quando acabou, por volta das 23h30, já estávamos do lado da porta e saímos em disparada antes que o resto da manada nos atropelasse. É claro que eu queria ir lá tietar o CJ, mas pelo tamanho do segurança do lado do palco, seria impossível. Tive que me conformar com algumas fotos tremidas que tirei dele. Ele encerrou com um "See you next year", o que é definitivamente uma boa notícia pra todos os fãs de Ramones. Só vamos esperar que da próxima vez os produtores tenham aprendido a lição e façam em uma casa maior, num sábado e com Sluggs abrindo.

6 de julho de 2009

A do cabeleireiro

Dia desses me submeti a um procedimento chatíssimo no cabeleireiro e - que maravilha - esqueci de levar um livro. Depois de o cabeleireiro insistir várias vezes, acabei aceitando "uma revista", rezando para que fosse pelo menos uma Veja (pra vocês verem até que ponto eu cheguei). Veio uma QUEM - uma não, duas - e eu ainda tinha umas 2 horas pra me divertir com elas. Resolvi folhear leeentamente.

Comecei a dar risada com as fotos e suas respectivas legendas:

- Claudia Gimenez toma caipirinha.
Foto da mulher feliz e contente com o copo na mão.

- Bruno Gagliasso e sua inseparável boina.
Foto do cara com sua boina.

- Fernanda Lima passeia com os gêmeos.
Foto da mulher com seus filhos na praia.

E tudo seguia mais ou menos dessa forma: foto besta, legenda idiota. É claro que os artistas não têm culpa nenhuma, estão ali levando suas vidinhas como eu e vocês (só que com mais dinheiro). Mas e daí que a Claudia Gimezes toma caipirinha, que o Bruno Gagliasso usa boina e a Fernanda Lima passeia com os filhos? O que tem de interessante nisso tudo?

O melhor mesmo veio na entrevista com o tremendão. Erasmo Carlos dizia que ainda é namorador, que tinha um quarto de motel dentro de casa, que nunca tomou viagra mas que tomaria se necessário, que fazia surubas quando estava na Jovem Guarda, entre outras preciosidades. Ah sim, a entrevista tinha o pretexto de falar sobre o novo disco dele, que está mais "roqueiro".

Em uma parte da entrevista a repórter perguntou se ele era machista. Ele respondeu que a geração dele foi criada assim, que homem tinha que ser macho, não podia chorar, etc. Fiquei pensando quantos "tremendões" ainda temos por aí, quantos homens de 45 a 50 anos não são machistas com essa mesma desculpa: "isso vem criação". É verdade que cada um é do jeito que foi criado? Ou a pessoa é criada de um jeito e "aceita", digamos assim, aquilo que mais acha correto? A criação de toda uma geração é pretexto para machismo? A geração atual ainda é criada como o Erasmo Carlos?

Enquanto as perguntas pairavam sobre minha cabeça, o cabeleireiro me chamava para lavar o cabelo. Fechei a revista e fui, esperando que a lavagem fosse a mais profunda possível e que eu esquecesse de tudo o que li naquelas 2 horas.

30 de junho de 2009

A do CQC na USP

Foi ao ar ontem, no CQC, uma matéria feita pelo Danilo Gentili sobre a greve na USP. Quem quiser pode assisti-la aqui:



Normalmente eu gosto das matérias do CQC. De verdade. Mas essa foi uma das reportagens sobre greve na USP mais ridículas que vi nesses últimos 56 dias, superando até as do SPTV*. Sintetizar em 6 minutos a divisão entre greve e anti-greve que existe (e sempre existiu) na USP é tarefa complicada, é verdade. Mas o Danilo e sua produção sequer se esforçaram.

*Não se preocupe, Datena, o 1º lugar ainda é seu.

Primeiro, expuseram um estudante agredido ao ridículo. Como o próprio estudante menciona, existem mesmo vídeos que mostram agressões de grevistas contra anti-grevistas, assim como existem vídeos da PM agredindo os grevistas também. Não dá para fazer piada em cima de agressão, sinto muito.

Segundo: quem foi que disse que quem é a favor da greve é estudante de Humanas? Fazer o cara do IME dizer que FFLCH, ECA, FE e cia. são a favor da greve só amplia ainda mais o racha que existe na USP entre Humanas e Exatas e generaliza completamente uma realidade que nunca foi essa. A FFLCH, por exemplo, em sua maioria, não apóia as greves. Simplesmente não se mobiliza contra elas. E, se parte daqueles que são contra as greves decide participar das assembleias, são obrigados a aguentar horas e horas de blablabla até que se chegue finalmente a uma votação - que é refeita na semana seguinte e na seguinte, até que grevistas vençam pelo cansaço.

O que nos leva ao terceiro fato: os flash mobs que surgiram esse ano na USP, chamados de "greve da greve", são de fato movimentos bem mal organizados e vazios do ponto de vista argumentativo, mas ao menos existem. Em 2007 milhares de alunos contra a invazão medonha da reitoria nada fizeram, pelo menos esses alunos resolveram fazer algo esse ano. Ainda que algo no estilo Malhação, já é um começo. Quem sabe em 2011 esse pessoal não faz um manifesto ou algo parecido, não combina todo um discurso e faz faixas maiorzinhas para aparecer bem na mídia, não é mesmo?

Ao final, quando Rafinha Bastos e Professor Tibúrcio comentam a matéria, disseram não entender o fato de estudante fazer greve. Afinal, de que lado eles ficaram? Primeiro quem é contra greves é feito de bobo, depois quem é a favor é retardado. Parece que quem trabalha no CQC também não entende muito de lógica.

É realmente triste que formadores de opinião tentem ridicularizar cada vez mais a já ridícula situação da USP. E é triste também ver que tudo sempre começa do mesmo jeito: "A universidade mais importante do país..."Sim, a USP é a mais importante, aquela com maior número de funcionários, docentes, cursos, prédios, partidos políticos e sindicalistas que se organizam em seus meses de reajuste em prol de míseros 6,5% de reajuste salarial. Isso não vai mudar. Mas parece que todo mundo, principalmente a reitora, quer ver o circo pegar fogo. Taca a PM lá, a Globo, a Band, a Rede TV... vai, entra todo mundo e faz a matéria que quiser, mostra que estudante da USP é tudo babaca mesmo, que não paga e não quer ter aula, que quem quer ter aula é nerd imbecil, vai... No final a gente dá risada, faz uma assembleia e decide voltar ao normal como se nada tivesse acontecido.

27 de junho de 2009

A do Fim do Mundo


Quantas vezes o Fantástico já noticiou alguma coisa relacionada ao Fim do Mundo? A primeira vez (ao menos a que eu presenciei) eu me lembro bem: 9/9/1999. Eu estava na 5ª série e eu e meus coleguinhas adorávamos fazer as piadinhas sobre a data.


- Professora, marca essa prova aí pro dia 9!
- Tchau, Fulano, até amanhã! Eu acho.

É claro que na época tinha a maior graça.

O fato é: todo mundo sabe que esse mundo não acaba enquanto Obama não declarar a paz no Oriente Médio, os Estados Unidos não concordarem com o aquecimento global e enquanto a ONU não tombar a Dona Mariza como patrimônio histórico da humanidade. Mas acreditem, ainda tem gente que bate o pé na história de que o fim do mundo está próximo. E tem data certa novamente: 21/12/2012.

Só que dessa vez o Fantástico não falou nada sobre o fim do mundo. Na verdade, deve ter falado, mas hoje em dia eu não assisto mais televisão. E como nessa vida tudo é digital, o Fim do Mundo tem site próprio: www.fimdomundo2012.com.

Eu resolvi dar uma olhadinha só por curiosidade, mas tem muita, muuuita coisa pra olhar e o site parece ter sido feito por um neanderthal e seu FrontPage, então fica realmente difícil. Mas uma olhadinha superficial já é suficiente para nos divertir nessa madrugada.

A explicação
"(...) O mesmo calendário [maia] prevê uma mudança radical para o solstício de inverno (verão no hemisfério sul) de 2012. Em 21 de dezembro de 2012 acontecerá um fato que mudará o nosso planeta da forma que conhecemos. Terceira Guerra Mundial, Crise Econômica se transformando em Depressão Econômica Mundial, Cometa, Planeta, Nova Ordem Mundial? Só Deus sabe!"

Bem, qualquer um que tem mais de 10 anos sabe que os maias eram do hemisfério sul. Por que raios eles previram uma mudança para solstício de inverno se qualquer um que vive no hemisfério sul chama essa data de solstício de verão? Mas bom mesmo é ver que o site é bem atualizado. Já tem a crise econômica no meio. Analistas dizendo que a economia está se recuperando? Balela! Vai ser uma depressão mundial. Ou cometa. Ou planeta (???). Ou nova ordem mundial. Só Deus sabe mesmo.

Numerologia
"Você já olhou para o relógio e ele estava marcando 11 horas e 11 minutos? Os numerologistas acreditam que os eventos ligados ao 11:11 aparecem com mais freqüência que a probabilidade, enquantos os críticos acreditam que é apenas uma simples coincidência."

Essa foi a minha preferida. Sim, porque numerologia é o core business do fim do mundo, então nada mais justo do que dedicar um certo tempo a isso. Alguém aqui já olhou no relógio e ele estava marcando 11h11? Eu não.

O aviso
"Este site não tem a intenção de gerar pânico
Nosso objetivo é entender o que pode acontecer em 2012 e como nós poderemos nos [arrrght!] preparar se as previsões de uma grande mudança estiverem corretas. "

Não tem a intenção de gerar pânico? Que alívio! Porque se não fosse por esse aviso, eu diria o contrário. Agora, como nos preparamos para as previsões? Ah, claro:
  • Se for um meteoro, podemos implodi-lo no mais glamuroso estilo Armagedon, com direito a Aerosmith como soundtrack.
  • Se for a 3ª GM, podemos... lutar nela.
  • Caso a crise se transforme numa depressão a gente manda o JK aplainar tudo e reconstruir Brasília que fica tudo certo.
  • Se surgir uma nova ordem mundial a gente torce para que o Brasil seja 1º mundo nela. Se não for, formaremos o Exército dos 12 Macacos junto com o pessoal do PETA.
  • E se for um planeta... bom, nesse caso abraçamos os familiares, filmamos tudo para colocar no YouTube e juntamos artefatos valiosos pra anunciar no e-Bay em caso de sobrevivência. Tudo isso enquanto rezamos para que o Twitter não saia do ar, porque #fimdomundo será trending topic na certa!

26 de junho de 2009

A do para bens e do coelho


Sempre me lembro de, quando era criança, ficar tentando entender a palavra "parabéns".
Para mim, tava todo mundo falando errado. O certo mesmo era "para bem".

Mas por que "para bem"? Simples: minha mãe sempre chamou meu pai de "bem". Se ela dá um presente pra ele falando "para bens" (e insistindo em errar esse S aí), tudo fica muito mais claro.

Mas e quando todo mundo começa a se chamar de "bem" ao entregar um presente, não importando quem é o presenteado? Essa é a hora em que vem algum adulto chato e explica:

- Nããão, o certo é "parabéns". Junto, com acento e no plural.

E assim todas as fantasias de criança vão embora.

- Ele não é o Papai Noel, é seu pai fantasiado.
- Você acha mesmo que alguém consegue transformar dente em dinheiro?
- Como um coelho pequenininho pode carregar um ovo grande desse jeito?

Sem falar do episódio do coelho do KFC. KFC já era um lugar mágico por excelência, porque ele tinha batatas smiles (ou "de carinha"). Se alguém fazia um aniversário no KFC, com certeza seria muito mais legal do que no McDonalds [vixi, é agora que eu sou demitida]. Mais legal ainda pq o Ronald era um palhaço, portanto me dava medo, mas no KFC eles tinham aquele coelhinho simpático que bricava com a criançada - e eu prefiro não pensar no fato de que o nome do restaurante era Kentucky Fried Chicken.

Porém, o KFC tava falindo aqui no Brasil e deve ter economizado com o pessoal de RH, porque contrataram uma pobre coitada pra vestir a roupa de coelho e a mulher não tinha a menor habilidade pra andar e manter a cabeça em pé. Resultado:

- É uma farsa! Aquele coelho é falso! - gritou o menino gordinho no meio do salão de festas. Foi um coral de choros.

24 de junho de 2009

A do ônibus


Uma manhã qualquer, eu lá esperando meu busão Sto. Amaro que passa sempre, pontualmente, às 7h10. Deu 7h15 e nada. 7h20, idem. 7h25 e o ponto lotado - nem sinal do maldito. 7h30 ele vem cambaleando, com aquele balançar de bêbado depois da vigézima pinga e... adivinhem só! Isso mesmo: cheio. Lotado. Vazando.

Gente pendurada em tudo que era janela, aquele cheirinho agradável de trabalhadores da Zona Sul e uma baixinha salta na minha frente. [Ok, eu não sou a pessoa mais alta do mundo, mas ela batia no meu ombro, então eu posso chamá-la de baixinha sim.] Ela era daquelas atarracadinhas - 1,40 m e 70 kg - de coque preso com aquela presilha de laço preto breguííííssima e saião até o joelho. Pode reparar, todo ônibus lotado tem uma dessas. E eu fui a bola da vez. Quase literalmente, porque a mulher resolveu me chutar pra passar e entrar no ônibus antes de mim. Era aquelas horas em que você pensa: vai, tanto faz, já tô atrasada mesmo...

Porém, além de empurrar, ela também resmungava.

- Preciso passar e não dá. Inferno. Demorou pra vir e agora vem assim...

Ah, qualé! O Butantã-USP às 18h30h na esquina da Faria Lima com a Rebouças é cem, mil vezes pior! Eu acho engraçado como nessas horas as pessoas acham que vai adiantar alguma coisa ter pressa. Nem mosquito da dengue cabia ali naquele ônibus, quanto mais a Michelin versão evangélica.

- Aqui já deu, Seu Antônio! - berrou a cobradora lá do fundo. Fundo? Sim, quando você tá do lado daquele adesivo que diz "Não apóie nem suba no capô", com umas 50 pessoas na sua frente, a cobradora parece estar reeealmente no fundo.

E aí parou de entrar gente. Pelo menos por aluguns pontos. Logo passou o Shopping Butantã, saíram uns 10, entraram uns 20 e assim foi seguindo. Eu consegui me arranjar em algum cantinho espremida, uma alma santa segurou gentilmente minha bolsa (que a essa altura já era quase uma sacola do Carrefour) e a mini Michelin se foi em paz.

Quando sosseguei meus nervos, olhei pela janela e estava lá, brilhando de tão vazio. Sim, era outro Sto. Amaro, que tinha passado logo depois do que eu estava.

Claro que eu fiquei à beira de um ataque mas, depois de todo o sufoco, o que mais eu podia fazer? Já estava perto do shopping Morumbi, logo os vendedores de lojas e operadores de telemarketing da Vivo, que fica logo em frente, iam descer em massa e o ônibus ficaria brilhante como o outro, livre pra chegar na Alexandre Dumas e ahazzar. Por isso, segui a máxima da nossa querida amiga Marta Suplicy, aproveitei que a alma santa estava descendo e me cedendo seu lugar e sentei por alguns pontos. Afinal, o dia só estava começando.

O nome deste blog não foi proposital


Foi falta de opção. É claro que a intenção era fazer alguma referência à palavra crônica, mas parece que outras pessoas já tiveram essa ideia. E, curiosamente (para a minha raiva), quem a teve não levou o blog para frente. Cansei de ver blogs com um post “Teste” e nada mais ou blogs que começaram e pararam em 2002 com títulos como “Vida de faculdade” (por que um sujeito faz um domínio “diacronia.blogspot” e coloca um título desses?).

Mas, se é que isso interessa para alguém, o título do blog é também uma alusão ao linguista Ferdinand de Saussure - diachronie/synchronie. Não cabe aqui explicar a relação disso com línguas (e eu nem quero ter leitores dormentes logo no primeiro post), mas cabe mencionar que diacronismo tem a ver com passado e, portanto, não estou prometendo aqui um blog que fale sobre os mais atuais fatos – para isso, consulte um portal de notícias. A intenção aqui é escrever de maneira (bem/mal) humorada sobre fatos corriqueiros e praguejar contra coisas que você certamente irá se identificar.

Portanto, bem-vindo ao Dia-crônica, o blog que segue sua própria regra ortográfica.